Os últimos passos de João do Rio:
a coluna Bilhete do jornal A Pátria

Centenário de morte (1921-2021)

 

Apresentação

Cristiane d'Avila*

Em memória de João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto (1881-1921), “Os últimos passos de João do Rio: a coluna Bilhete do jornal A Pátria" apresenta as colunas do jornal A Pátria, lançado pelo repórter, cronista, contista e tradutor de Oscar Wilde, em 15/09/1920.

 

As 52 colunas Bilhete foram publicadas de 4 de outubro de 1920 a 23 de junho de 1921. Dono de A Pátria, Paulo Barreto, o João do Rio, assina a última coluna no dia de sua súbita morte, em 23 de junho de 2021, aos 39 anos.

 

A microfilmagem e digitalização das páginas do jornal impresso A Pátria, localizado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, foram realizadas em 2009. Em 2014, com verba do Programa “Apoio à difusão e popularização da ciência e tecnologia no Estado do Rio de Janeiro”, da Faperj, foi possível transcrever o conteúdo das colunas. Desde então, guardo comigo este rico material, que disponibilizo agora ao público em homenagem aos cem anos da morte do grande jornalista,

 

João do Rio foi um dos repórteres mais brilhantes e inovadores que o Brasil conheceu. Personagem de extrema relevância para a memória e a história política, intelectual e cultural do Rio de Janeiro do início do século XX, exibiu em suas crônicas-reportagens um novo modo de narrar o cotidiano, um jornalismo genuíno, que tanto ia aos becos da “canalha”, como aos salões da “gente de cima”, os “encantadores”, expressões do próprio João do Rio para representar, com ironia e certa irreverência, as configurações sociais. 

Nos "bilhetes" aos mais diversos destinatários, João do Rio aponta e denuncia um momento de exacerbado nacionalismo e intensa perseguição à colônia portuguesa no Rio de Janeiro, capital da República. O material contém farto conteúdo histórico, principalmente sobre o processo de nacionalização da pesca no país, ainda pouco pesquisado. Sem dúvida, uma preciosa fonte de informações sobre uma época ímpar do Brasil.

JOÃO DO RIO

João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto (5 ago. 1881 – 23 jun. 1921) foi cronista, contista, repórter. Em 1903, no jornal Gazeta de Notícias, surge então o pseudônimo João do Rio, com o qual se consagraria literariamente. Nos diversos jornais em que trabalhou, como colaborador, redator, diretor, fundador, granjeou enorme sucesso, sagrando-se como o maior jornalista de seu tempo. Deixou obra vasta, mas efêmera, que de modo algum corresponde à imensa popularidade que desfrutou em vida. Aliando talento singular de jornalista à refinada personalidade literária, as qualidades do homem de letras estavam sempre presentes no periodista, daí o êxito de sua atuação expressa na imensa popularidade que conquistou, a ponto de seu enterro se ter realizado com um cortejo de cerca de cem mil pessoas.

 

Enciclopédia de Literatura Brasileira. Direção Afrânio Coutinho; J. Galante de Sousa. 2ª edição. São Paulo: Global Editora; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional: Academia Brasileira de Letras, 2001. 

NOTA:

Os fatos, personagens e locais citados nas 52 colunas Bilhete não receberam notas explicativas, portanto estão abertos à investigação a quem se interessar pelo tema.

 

Minhas pesquisas anteriores podem auxiliar:

RIO, João do. Cartas de João do Rio a João de Barros e Carlos Malheiro Dias. Introdução, organização e notas: Cristiane d'Avila; prefácio: Zuenir Ventura. Rio de Janeiro: Funarte, 2012. Disponível em acesso gratuito:

https://www.funarte.gov.br/edicoes-online/cartas-de-joao-do-rio-a-joao-de-barros-e-carlos-malheiro-dias/

D'AVILA, Cristiane. João do Rio a caminho da Atlântida: por uma aproximação luso-brasileira. Rio de Janeiro: Faperj/Contra Capa, 2015. 

________________________________________________________________________________

 

*Cristiane d'Avila é jornalista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), doutora em Letras, mestre e especialista em Comunicação pela PUC-Rio. Atua em projetos de jornalismo digital e comunicação institucional. Colaboradora dos portais Brasiliana Fotográfica, Café História e Sinal Aberto (Portugal).

 

Transcrição e notas das colunas:

Celimar de Oliveira

Revisora, tradutora, editora

Agradecimentos:

Laura d'Avila

Rodrigo d'Avila