• Cristiane d'Avila

Quinta-feira, 03/03/1921

Atualizado: Jun 16

Coluna Bilhete


Transcrição


Aos Nacionalistas – É chegado o momento, homens detentores do sentimento patriótico, de mostrar que essa subitânea explosão jacobina não se limita apenas a uma agressão aos fornecedores – pois para isso não valia a pena pôr em circulação tantas palavras solenes e tantos desaforos. É chegado o momento em que quantos mantinham a expectativa diante da gritaria da “Ação” devem aplaudi-los sem restrições.


Vocês parece que vinham ensinar patriotismo ao resto do Brasil, com aqueles impagáveis 14 marcos, um dos quais é a mudança da capital para Goiás. Ao voltar da Europa, onde sempre julguei ter feito pelo Brasil o que me fora possível, ao voltar do Recife, onde realizava para os estudantes a conferência do “Dever do Brasil após a guerra”, o maior hino de fé e de certeza no Brasil novo, eu era recebido com a ameaça de vala de pândegos como vocês e encontrava no meu automóvel papéis de insulto atribuindo-me ideias que eu não tivera jamais.


Maldade apenas? Estupidez? Desonestidade?

Como, porém, até os 40 anos não me foi possível brincar com coisas sérias ou explorar o que implica com o sentimento da minha pátria, cheguei a imaginar: “Estão errados; não me querem compreender; mas são patriotas. Valha-nos isso!”


Infelizmente, entretanto, nem isso vale. Depois que o Conde Affonso Celso lançou o grito: “nacionalismo ou morte” estalou com o começo da cólera mato-grossense a localização de municipalidades norte-americanas nesse estado do centro; rebentou o escândalo do caso dos navios em que a França positivamente pilheria com o Brasil. E os patriotas, os jacobinos, o pessoal que fazia meetings contra a “cavalgadura” de Pedr’Alvares Cabral, por ter tido o desaforo de descobrir o Brasil, esse esplêndido pessoal que são todos vocês – vocês que me insultam em pasquins como os Palma Cavalão [COB1] não insultariam, vocês sem ao menos respeito pelo próprio nome – até agora nem uma palavra, nem um meeting, nada!


Isso é que é nacionalismo, ou o nacionalismo de vocês é uma questão com o vendeiro da esquina? Tratamos com o Cavaleiros de Colombo ou com uns vagos oportunistas? O sentimento nacional existe para descompor apenas os portugueses ou para querer esta pátria igual às maiores, afirmando o seu lugar incomparável no novo mundo? O jacobinismo é para concordar com a França, achar que as nossas terras devem ser alienadas, e gritar que Calabar foi o pró-mártir da nacionalidade? Só? Mas só mesmo?


Francamente, vocês estão defendendo mal a fachada! Porque mostram o pior lado: atacar aquele que não nos ataca, para fingir não ver o forte que avança no que é nosso. E por isso eu me permito indagar quando é que vocês sabem de tudo isso que os jornais falam... quando é que vocês dão a sua opinião sobre o caso dos navios e o caso de Mato Grosso e o caso do Amapá!


João do Rio


[COB1]http://depoisfalamos.blogspot.com.br/2012/02/palma-cavalao.html

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